CAMINHOS

Tenho pensado sobre a vida e suas fases. E escrevi um poema que procurou retratar a idade madura, aquela que chamam de terceira idade, ou seja é a fase da vida quando estamos maduros para enfrentar o final desta nossa vida material.
Após escrever esse poema, comecei a pensar na minha juventude, e então escrevi mais dois poemas: juventude e vida adulta, formando assim uma trilogia, que saiu quase sem querer.

Mauricio Bressan Junior
10/04/2011

CAMINHOS

I – JUVENTUDE

Andanças, percurso de caminhos retos,
Tortuoso viajar a lugares escusos,
Fortes sons, soados distantes,
Emoções vividas a cada instante.

Mente atenta, já quase amadurecida,
Dias de glórias, e vitórias em expectativa,
Forte desejo de transformar e reformar a vida,
Atitudes viris, vontade forte e ativa.

Os loucos tempos da tenra juventude,
Loucuras, sóbrias e lúcidas, perpetradas,
Pensar prenhe, parindo a luz da atitude,
Contra a insanidade das culturas impingidas.

Em meio às batalhas dos pensamentos,
Às guerras por uma luz de entendimento;
Amores com ardor, plenos de sentimentos,
Momentos únicos, amados em cada momento.

Paradoxal mescla de sofrimento e imensa dor,
Com a feliz alegria dos frescores suaves do amor,
Dos beijos fartos da emoção sentida com ardor,
Com fartos momentos de angustia, vividos com torpor.

A extensa estrada, à frente, se coloca,
Inútil parar para limpar e curar as feridas,
A vida continua, não permite paradas inócuas,
Não retrocede, e nada podem as esperanças perdidas.

À frente, novo horizonte se percebe,
Parece, mais claro e mais propício,
Talvez, novo tempo, quando a mente concebe,
Ponderar mais manso, distante do precipício.

Mente metamorfoseada, do pensar obscuro,
Para o tênue e suave pensamento profícuo.
Vida que transmuta, e muda o trajeto escuro,
Para a verde e clara rota, em ato contínuo.

Claras manhãs, agora resplandecentes,
Não mais sombrias e incertas, nebulosas,
Talvez, serena quietude na alma e na mente,
Coisas da vida, agora, talvez, como presente.

II – VIDA ADULTA

A idade adulta chegou, meio de repente,
Se impôs, sem mostrar antecedentes,
Veio e mostrou novo caminho, e nova mente,
Importa agora, vivê-la coerentemente.

Novo caminho, agora mais complexo,
Nova aurora, nova era mais amadurecida,
Mente aberta, diante de um mundo perplexo,
Caminho novo, atitude mais decidida.

Assume a realidade da vida dura,
Desvenda as nuvens encobertas,
Traz as chuvas que brotem a semeadura,
Madura idade, donde brotam as descobertas.

Louco porvir, que se espera ansioso,
Que traz o bom tempo, tranqüilo e calmo,
E também o vento tempestuoso,
Mas é tempo do fruto maduro e alvo.

Tantas responsabilidades e aflições,
O ser todo jogado no palco da vida.
Tanta necessidade de escolhas e decisões,
Não pode, nunca, a esperança perdida.

Faz-se a vida com determinação,
Embora tosca, a razão,
Mas, vida feita com amor,
Vida feita com sentimento e emoção.

Vida que caminha para o entardecer,
Com sol, já quase, caindo no horizonte,
Mas há luz, faz-se então novo alvorecer,
E continua o caminho, atravessa-se a nova ponte.

III – VIDA MADURA

As longas caminhadas percorridas,
Os doces sentimentos sentidos,
As suaves melodias troadas,
Sussurradas aos atentos ouvidos.

E o perfume, que sutil, paira no ar.
Ofegantes odores, ardores com emoção,
Elegantes modos de bobagens falar,
E o doce sentimento, sentido no coração.

As voltas sinuosas dos caminhos da vida.
A vida contida em anos duradouros,
As retas assombrosas da meta perseguida,
O doce mistério dos tempos vindouros.

Tantas e inglórias desventuras vividas,
Quantos absurdos consentidos, admitidos,
Dores e angustias, da memória, varridas,
Soluços e choros no peito, sentidos.

Vida, vida minha que se esvai,
Vai-se aos poucos terminando.
Aos poucos, desentranhando,
Do frágil corpo, a energia vital.

Doce, doce vida amada e querida,
Que andastes por caminhos sombrios,
Outros, ensolarados, na reta pretendida,
Tanta vez, em becos escuros e esguios.

Os olores suaves, dos frascos, se esvaindo,
A doce melodia já se ouve ao longe, distante,
O caminho longo, já vai da estrada saindo,
Resta a lembrança do vivido em cada instante.

Tanta busca, tantos desencontros,
Tantos anseios truncados, frustrados,
Mas, também, muitos claros e realizados,
Que fizeram parte dos caminhos andados.

Vida fácil, vida difícil, vida incontida.
Muitas vezes, foi vida escolhida,
Outras, nos desencontros, foi vida sofrida.
Ainda mais dura, quando houve despedida.

O ciclo, já quase se completa, se finda,
Seguindo a natureza intrínseca da vida,
Perscrutando o caminho que resta, ainda,
Para, enfim, viver a esperada vida infinda.

Mauricio Bressan Junior
05/04/2011

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s