ADEUS

Por falar em partidas, a partida de meu pai foi antecedida, sem saber que assim seria, por um poema.

Este poema, escrevi antes da partida de meu pai, mas imediatamente identifiquei por que o houvera escrito.

Foi uma premonição, uma antevisão? Não sei, realmente não sei. Mas sei que quando meu pai partiu, lembrei desse poema, no instante imediato a sua partida.

Creio, que algumas vezes, nos colocamos em sintonia com o tempo sem tempo, e conseguimos enxergar, ainda que de forma inconsciente, o que está por vir.

E foi, com este adeus antecipado, que me despedi de meu pai.

Mauricio Bressan Junior

23/03/2011

ADEUS

De repente uma dor, uma angustia.
Uma flor sem pétalas, um mar sem sal,
Um verde sem brilho, um grito no escuro.
De repente um arrependimento, talvez.

Súbita e rapidamente a noite se fez.
O brilho, a luz, a saudade de alguém.
A vida infinita fitada nos olhos do além.
Se fez silêncio e a vida se desfez.

Ah! A névoa úmida da manhã,
O orvalho chorado na noite macia,
Caído dos olhos serenos da brisa,
E o vento cantando a morte fria.

Soluçando, em prantos, a folha caída,
Se esvaindo em dores a saudade aflita.
Cogita um suspiro, nos lábios, a vida.
Mas de repente se vai a esperança infinita.

Mauricio Bressan Junior
22/02/1979

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