MORTE

Quando publiquei, neste blog, o poema PARTIDA, no dia 05 de outubro de 2010, referindo-se à partida da Zulma, disse, ou melhor escrevi, que ao longo do tempo eu passei a entender a morte, e a ter uma relação amistosa com ela, sem muito sofrimento, sem lamentos e sem revolta. E disse (escrevi) que qualquer dia eu colocaria, aqui no Blog, a forma como encaro a morte, e farei isto neste momento. A data é de 2008, mas venho ponderando e escrevendo sobre a morte desde a década de 80, após a morte de meu pai, em maio de 1981. Este texto é apenas uma síntese de tudo que já escrevi, e penso que trata de forma sucinta, mas bem delineada os aspectos menos tenebrosos dessa Senhora: A Morte.

Mauricio Bressan Junior
17/03/2011

A MORTE

A morte, elemento essencial da vida, produz muita dor, muito sofrimento e muita tristeza. Mas assim não deveria ser, pois a morte, na verdade, é um passo à frente em nossa vida, é como uma peça teatral: a cena final de um ato, que prossegue no ato seguinte. A morte é o coroamento de uma vida, não o seu final.
Quando nos deparamos com a morte, devemos nos dar conta que não é a morte do ser, não é a morte da essência, é apenas a morte do corpo físico, morte da matéria. É como a crisálida, o casulo que é abandonado, como uma roupa, quando de lá surge a borboleta. Portanto a morte nada mais é que o renascimento para uma nova vida, ou melhor, para uma nova etapa da vida. Exatamente isto: morrer é renascer e, portanto não deveria gerar pesar, dor e sofrimento.
Tanto lamento e tanto choro para que?
Tanta tristeza e desconsolo por quê?
Aquele que parte, e deixa seu corpo, sua matéria, não morreu, apenas partiu para uma nova etapa em sua vida.
Partiu porque era seu momento de partir, assim como todos nós partiremos um dia. E partiremos, mas não morreremos, pois nossa essência, nossa energia continuará viva, como agora quando habita nosso corpo físico.
É necessário que se entenda os meandros da vida, o seu desenrolar, para que possamos entender os mistérios da morte. É preciso que entendamos os mistérios da morte para que possamos viver com mais segurança, mais alegria, com plenitude. Não é preciso que lembremos constantemente da morte, mas é preciso que não esqueçamos que ela faz parte da vida.
Quando “perdemos” alguém, na verdade não o perdemos, apenas nos separamos por um determinado período, talvez um breve momento e, portanto nossa vida não deve mudar, ela continua, e deve continuar sem dor ou tristeza, sem infelicidade. Apenas a saudade, que deve ser a lembrança alegre daquele que partiu.
“Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.” (Fernando Pessoa)
Nossa vida não deve ser truncada, estagnada, nem devemos abandonar nossas buscas, nossos anseios, nossos projetos. Devemos continuar nosso caminho, talvez mais sós, mas continuando sempre em frente. O caminho deve ser percorrido, mesmo se nosso companheiro, nosso irmão, nosso amigo já não está fisicamente conosco. Ele continua, também, o seu caminho e precisa que o ajudemos, com nossa força e nosso amor, pois seu caminho é novo agora.
Nossa vida continua, com as mesmas necessidades, os mesmos anseios e, não devemos reprimi-los, mas sim encará-los com naturalidade e, satisfazê-los da forma mais coerente e correta, como sempre vínhamos fazendo até então.
Quando o amor irrestrito habita em nós, habita em nós também a divindade e, o lamento e a culpa não têm espaço para se manifestar em nossa vida, não tem o poder de perturbar o equilíbrio de nossa paz.
Quem partiu, adquiriu a consciência da vida, transcendeu e, não nos culpa pelo que aconteceu, ou por alguma falha nossa, porque nossas falhas são problema nosso e, nós temos que lidar com isso e, quem partiu deve se preocupar com seu novo caminho e trilhá-lo da melhor forma possível para ascender a planos mais elevados, portanto não deverá estar se preocupando com coisas e fatos que já não lhe dizem respeito, pois, inclusive iria interferir com o arbítrio alheio. Por isso é importante nossa conduta de amor e respeito a quem partiu, pois isto fortalecerá tanto a ele como a nós mesmos.
Existe uma sintonia entre nós e quem partiu, no entanto é necessário que nos posicionemos, como uma antena, adequadamente para percebermos.
A angustia, o lamento e a dor, não são próprios da morte, ou para a morte, são sensações de quem não está preparado, de quem não viveu, até agora, a plenitude do amor à vida. A vida plena é embasada nos princípios éticos e morais do amor, tanto no espírito como na matéria. Quem trilhou os caminhos do amor, certamente não lamenta nem chora a morte.
A morte só é pesar, dor e sofrimento para aqueles que esqueceram, ou não souberam amar. Para todos os outros, que buscam no amor à vida, seu balizamento para percorrer o caminho, a morte é um prêmio.
Portanto aproveite a vida, viva com tenacidade, coerência e amor. Ame a vida e saberá entender a morte.

Mauricio Bressan Junior
18/08/2008

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Uma resposta para MORTE

  1. nancy disse:

    a morte pode ser um premio, mais tambem uma cicatriz, não some nunca, beijos……

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