ENCONTROS E DESENCONTROS

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”; isto foi o que Vinicius de Moraes escreveu certa vez.
E como eu poderia discordar de Vinicius de Moraes? Encontros e desencontros acontecem sempre. Os encontros, às vezes sem querer, se tornam agradáveis e passam a fazer parte de nossas vidas. São encontros que se transformam em grandes amizades, ou nos trazem uma paixão, que podem trazer um grande amor. Mas outras vezes nos trazem uma paixão efêmera, que por causa de um desencontro, se acaba. Desencontros, muitas vezes sem motivos verdadeiros, que podem destruir imaturamente algo que poderia ser maior que uma paixão.
Mas, enfim, a vida é feita de encontros e desencontros, e procurei condensá-los neste conto, que conta a história de uma história real.

Mauricio Bressan Junior
15/02/2011

ENCONTROS E DESENCONTROS

Naquele dia, agitado na alma e na mente, ele saiu de casa. Tinha um encontro importante. O sol, companheiro desejado, na manhã de inverno, tímido, lançava seus raios tépidos, que acariciavam a pele e aqueciam seu coração. O céu claro e azul era o presságio de bons momentos, mas ainda assim seu ser era cauteloso, seus pensamentos, apesar de otimistas, não iam além de possibilidades reais. Tudo, ou nada, poderia acontecer. O rio por entre montanhas não vislumbra o seu caminho tortuoso; paciente segue seu leito através das curvas sinuosas, porém suaves, mas sabe que pode, de repente, desaguar numa cascata.
Sabia que, suas intenções e seu esforço poderiam não ser suficientes para alcançar o porto seguro, onde finalmente poderia descansar seu corpo exausto e sua mente aflita. Seu desejo era alcançar a praia, de areia macia, e depositar ali todo seu ser, carente e desejoso de paz.
O sol, seu companheiro, com bons augúrios, acompanhava sua jornada, lançava sua luz radiante, e projetava a sombra de um ser, que ao longo do dia se tornava confiante; aproximava-se mais e mais dos seus anseios.
Seu companheiro de início de jornada, o sol, aos poucos foi se despedindo, aos poucos sua luz foi diminuindo e seu calor deixando de aquecer, mas providencial, convidou a lua para substituí-lo, com sua luz fria de calor, mas intensa de sentimento, tomou-o pelas mãos e o conduziu até onde deveria se encontrar com sua desejada companhia. A luz de prata, iluminando o feliz encontro, derramava alegria, espargia gotas de esperança. A noite macia e calma fornecia o clima suave e benfazejo, o cenário terno e propício.
A lua confiante, perspicaz e discreta, deixou-os a sós; sabia do momento desejado que se aproximava, do momento de emoção e de sentimento puro, quando se entregaram seus corpos maduros, e se entrelaçaram suas mentes conscientes, quando seus desejos e anseios se tornaram reais.
Então, suas mentes cúmplices e coniventes, entrelaçadas num murmúrio de felicidade, jaziam tranqüilas num mar de paz. Seus corpos, saciados da pura necessidade, sorriam felizes, e seus corações, antes apreensivos, batiam agora com a força do ritmo suave de uma sinfonia.
Quando surgiu a aurora do novo dia, seu companheiro, o sol, veio recebê-los, e felicitar por este encontro feliz e coroado de paz e amor.
Depois, eles, já unidos e cúmplices de um relacionamento feliz, seguiram pela estrada da vida. Andaram juntos, de mãos dadas, enfrentando o desafio que tinham à frente. O sol, seu companheiro de jornada, esteve presente em suas caminhadas, esteve aquecendo aqueles corações ávidos de calor e repletos de esperança.
Foram dias muito felizes, momentos únicos de muito companheirismo, de muito afeto e carinho. Foram momentos mágicos, onde ele sentia um confortável bem estar, uma paz de espírito profunda, quando estavam juntos. Todas as asperezas da vida eram esquecidas, postergadas, para fazer de seus encontros, momentos felizes e de muita paz. Foi um período em que mais que viver, sentiam “la vie en rose”.
O rio sinuoso serpenteando entre montanhas não vê o seu caminho à frente; vai seguindo seu leito, na expectativa de atingir o mar, sem sobressaltos, quedas bruscas, sem obstáculos à sua frente. No entanto, por um descuido do sol, houve o dia em que a chuva chegou. E as gotículas da chuva, formaram uma cortina d’água, prenunciando a tempestade que fatalmente chegou. O vento, a princípio, suave e gentil, se tornou forte e impiedoso, espalhando a chuva forte, que invadiu seus corpos e seus corações, encharcando-os de decepção e tristeza.
Ele, com a cabeça girando pela força do vento, não entendia porque o sol o abandonara, não conseguia perceber, naquele turbilhão, o que acontecera. Não entendia porque um dia bonito, com o sol quente e benfazejo, de repente, se transformou em tormenta.
O rio, finalmente, encontrou à sua frente a queda, que lançou suas águas muitos metros abaixo. Procurou, rapidamente, juntar suas porções novamente, e com muito esforço juntou suas águas, e continuou sua caminhada. No entanto, aos poucos foi se dando conta, que apesar de ter se recomposto, após a queda, seu leito já não era o mesmo que percorrera. Ainda era o mesmo rio, mas percorrendo um novo caminho. Sentiu saudade de seu velho leito, mas não podia voltar. Não podia voltar porque não se lançou, mas fora lançado com suas águas, e perdera a capacidade de retroceder, aliás, perdera inclusive seu senso de orientação.
A sua cabeça, ainda pesando sobre seus ombros, ficou aturdida por vários dias. Tentava entender e afastar a tormenta, mas a chuva toldava sua visão, e sua mente não conseguia ponderação.
Percebeu, afinal, que fora um belo dia, mas que terminara tristemente com a tempestade que se instalara em sua alma.
E daquela união explícita, coesa, onde tudo girava em torno de “nós”, o desencontro das almas, lançou seus corpos e suas mentes para o não desejado você e eu.

Mauricio Bressan Junior
25/05/2010

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Uma resposta para ENCONTROS E DESENCONTROS

  1. nancy disse:

    sem palavras, estou adorando.

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