UMA CERTA NOITE

É interessante como as coisas acontecem. Hoje, relendo este poema (Uma noite), lembrei as circunstâncias em que ele foi escrito.
Uma noite, sexta feira (28/09/84), saímos eu, a Zulma, e mais dois casais. Fomos jantar no Taquaral (São Paulo). Depois do jantar, o Cícero Campos, que já não está entre nós, propôs irmos a uma boate. E lá fomos nós para a tal boate na rua 13 de maio (próximo a Av. Brigadeiro Luis Antonio). Na verdade nem lembro o nome da boate, mas lembro que naquele ambiente meio escuro, e em meio ao barulho da música e das pessoas conversando, me deu um estalo sobre aquela noite; peguei um guardanapo sobre a mesa, uma caneta emprestada pelo Cícero (advogados sempre têm caneta), e escrevi este poema, que retrata o que senti naquela noite, em meio à todo burburinho.
Não existe lugar mais propício, ou menos propício para se escrever, qualquer lugar e qualquer circunstância são favoráveis se a gente está atento, ou se a gente está ligado às coisas que trespassam o nosso coração.

UMA NOITE 

 

De toda uma noite inteira,
Exposta, repleta, completa.
Resplende, recende e reflete
Toda uma vida vivida.

A noite suave e cálida,
Soprada no tempo,
Me faz na vida pensar,
E me faz viver, e me faz amar.

Quem sabe, refletindo na noite,
A felicidade infinda invada meu ser inerte.
Reacenda minh’alma carente,
E faça indolor a vida, de repente.

Que da noite vivida intensamente,
Persistente, sempre, seja meu ser,
E teimoso meu peito arfe,
E que nele todo amor se instale.

Que a Diva bendita,
Da vida insana, me salve.
E me traga viver intenso,
E me dê amor, do seu amor mais imenso.

Que de tudo que eu viva,
Eu sinta na pele o amor,
E o amor intenso me mate;
Que eu morra por esta dor.

Mauricio Bressan Junior
28/09/1984

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2 respostas para UMA CERTA NOITE

  1. Prezado Maurício,
    Há uma música de João Nogueira e, se não me engano, letra de Paulo Cesar Peinheiro, que diz assim: “Ninguém faz samba só porque prefere, força nenhuma no mundo interfere, sobre o poder da criação. É… Não precisa se estar nem feliz nem aflito, nem se refugiar em lugar mais bonito em busca da inspiração…” Chama-se Poder da Criação. Se não conhece, digo que vale a pena. Bom, mas o que quero dzer é que os poetas sabem dessa expolosão da força da criação que vem assim de repente, nos lugares mais insólitos. Me lembro que certa vez, quando estudava no ginásio (sou do tempo do ginásio!!!), me vieram uns versos malucos pedindo papel com urgência e eu batizei o conjunto de Poesia de uma Chícara de Café. Hoje esses verso já se perderam, mas sua poesia me transportou para aquele momento mágico da adolescência, quando comecei a sentir os chamados desse mundo particular dos poetas. Um conselho: leve sempre no bolso umm bloquinho de anotações.
    Um grande abraço,
    Reginaldo

    • Mauricio Bressan Junior disse:

      Pois é Reginaldo, percebo que você também é do time. Na Verdade não existem nem lugar, nem tempo ruim pra se escrever. É realmente imprevisível o momento de colocar no papel um conto ou uma poesia. Vejo pelos teus contos e histórias do teu blog. Eu diria, aliás eu digo, que estamos de parabéns por persistirmos nessa prática tão saudável que é escrever.

      Abraço
      Mauricio Bressan Junior

      P.S. Conheço, sim, essa música do João Nogueira.

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