TRISTEZA

TRISTEZA

Sempre que sinto tristeza, sinto fadiga, sinto preguiça. Sento e penso; penso em tudo que me levou àquele estado. Penso, penso muito, como se só isso me restasse fazer. Como se só isso pudesse resolver.
A tristeza, que se apresenta no momento, é sempre a maior que se teve, é sempre a mais dolorosa, sempre a mais triste.
Gostaria de poder saber o que fazer com a tristeza, sempre que ela apareça. Queria tanto saber despachá-la, poder enxotá-la, mas minha impotência é grande diante dessa senhora. Minhas forças sucumbem, meu ânimo se esvai, e até meu pensamento não consegue ponderar. Ah! Queria tanto saber dominar essa temível senhora.
Quando ela vem, vem com força e perseverança, não deixa sequer esperança. Vem como uma foice: devastadora e implacável; podando nossas ilusões, cortando nossa alegria e, ceifando, como pode, o nosso ego. Chega, essa senhora, e se apossa do nosso eu, faz nossas vistas turvas e lacrimejantes, traz pra dentro da gente a agonia, a insensatez. Tira a serenidade, nos dá loucura, que não há cura. Essa senhora, Tristeza, nos faz mudar, mudar o pensar e, num instante, sem pestanejar faz a gente chorar. Chorar de ódio, chorar de dor, chorar de desesperança e, como criança a gente chora.
Só consegue levar a tristeza, outra senhora: bonita, carinhosa, charmosa, tênue e gentil, porém pueril, inocente e inconstante; mais frágil que um fio de barbante, com 100 toneladas pra puxar.
Ah! Senhora doce e amiga, dona Alegria, porque sua mão é tão fria, seu peito tão arfante?
Sua voz macia e excitante nos ilude; nos conforta por um momento, mas num segundo já nos deixa, nos larga e abandona, como uma dona volúvel e inconstante.
Penso, e já não sei se é com ponderar, que essa senhora doce e macia é o prenúncio da outra senhora que está pra chegar.
Penso que dona Alegria, ainda feminina e delicada, é concubina da outra tarada, a Tristeza fadada a nos chatear.
Penso e, talvez a loucura de mim se aposse, que essas duas senhoras de mãos dadas, caminham juntas; enquanto uma colhe os destinos com suavidade e emoção, a outra os tolhe, esmigalha e joga como poeira ao chão.
Porque assim acontece? Não sei, não tenho certeza. Mas sei que hoje, dona Tristeza se deitou ao meu lado, amanhã, talvez dona Alegria se deite também.

Mauricio Bressan Junior
26/07/1982

 

HOJE ESTOU TRISTE

Hoje estou triste.
Não queria estar.
Mas essa dor persiste,
Quando devia me deixar.

Queria a alegria perene,
Quisera não reclamar.
Peço à dor que não se inflame,
Peço pra felicidade chegar.

Essa tristeza renitente,
Faz minha vida afrouxar,
Essa dor persistente,
Não deixa minha mente pensar.

Quando a tristeza se instala,
Faltam forças pra levantar,
Fica indolente e a voz cala,
E ela vem lépida sem avisar.

O peso que, no ser, ela insere,
Mais carga me traz pra carregar,
A alegria, por mais que a venere,
Não tem forças pra se aproximar.

É preciso, no entanto, que reaja,
Necessário se faz, a dor afastar,
Imperativo que quem nos trouxe tristeza,
Venha em auxílio, pra tristeza levar.

Quem sabe ela se apiede, e se vá,
Que pondere o mal que deixou entrar,
E então, rápido, se retire, já,
E o sol novamente volte a brilhar.

Mauricio Bressan Junior
26/03/2010

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