SEMPRESCREVENDO

Olá.

Há muito tempo, pra dizer a verdade desde meus 13/14 anos de idade, que escrevo. É algo que está em mim; parece uma necessidade, um vício que tem que ser saciado, e que, na verdade, me faz muito bem. É uma forma de exteriorizar os sentimentos, encarar os demônios que todos temos e colocá-los para fora, expulsá-los, e então sentir um alívio e uma indescritível leveza na alma.

Mas tudo tem um incentivo para iniciar, e o que eu tive foi fantástico, singular e muito forte. Vou contar uma breve história.

Meu primeiro contato com a poesia foi no primário (naquela época, fazia-se o curso primário, depois o ginásio, etc.), quando a professora, por quem estive apaixonado, leu “Navio Negreiro” de Castro Alves, e eu pensei que era muito bonito contar uma história daquela forma. No entanto, em minha ingenuidade de criança, pensei que poetas e poesias eram coisas do passado, antigas, da época do Brasil Colônia, Brasil Império. Quando fui para o ginásio, tive uma professora de português fabulosa, que me fez gostar da língua portuguesa, com sua gramática, sua literatura, seus meandros e sua beleza. Todas as férias de julho tínhamos tarefas para cumprir, e na terceira série do ginásio a nossa tarefa era escolher uma poesia do autor que quiséssemos, decorá-la, entendê-la, para na volta às aulas em agosto, declamá-la e explicá-la.

Foi nesse momento que descobri realmente a poesia, pois me emprestaram o livro “Antologia poética” de Vinicius de Moraes, e eu pude perceber que Vinicius era poeta, era atual, e estava vivo, não como Castro Alves, que em minha memória, era antigo e estava morto. E fiquei fascinado com aquela forma ritmada de contar histórias, e percebi que era algo vivo e possível. Demasiadamente pretensioso, pensei: “se ele pode então, eu também posso”. Foi a partir daí que iniciei minhas primeiras tentativas em escrever uma poesia. Infelizmente não tenho nada desse meu começo, dessas minhas primeiras tentativas, na verdade muito pouca coisa, mas nunca mais parei de escrever: algumas coisas muito ruins, outras apenas ruins, outras tantas, sofríveis, e as que, considero boas. E como escrevi no início deste texto, fiquei viciado na arte de escrever, por isso é que SEMPRESCREVO.

Mas, apesar de sempre escrever, nunca divulguei, e realmente, poucas pessoas leram o que escrevi até hoje. Porém, agora, resolvi que não devo manter oculto o que escrevo, não por considerar bom demais, independente do meu julgamento daquilo que escrevo, mas pelo pedido de algumas pessoas, que julgam que este meu trabalho deveria ser divulgado.

Inicio então, com um poema que fala de uma nostalgia sadia, sobre a infância.

Espero que a partir de agora possam, todos aqueles sensíveis, todos os que, por algum motivo, gostam de poesia, usufruir e se deleitar ao ler as coisas que escrevo, assim como eu me deleito ao escrevê-las.

Um grande abraço a todos.

Mauricio Bressan Junior

INFÂNCIA

Tenho tanta saudade da minha infância;

Tenho saudade do brincar de bola,

Da minha atrevida vida criança,

Saudade do jogar peão, soltar balão.


Saudade da serena pureza d’alma,

Do não conhecer o risco, o perigo;

Nas ruas ásperas o carro de rolimã,

A pipa no céu, sem cerol e sem castigo.


Saudade da professorinha, por quem me apaixonei,

Da sua beleza austera, mas beleza enfim.

De tantas contas de dividir que não terminei,

Do suave perfume, que ela tinha, de jasmim.


Da bicicleta ladeira abaixo,

Tanta saudade do jogo de botão;

_ “Sem barreira que eu encaixo”

Tanta aventura, aos pulos o coração.


Saudade das paixões da infância,

Da menina, bonita, que me batia o coração,

Daquela doce e suave emoção criança;

Eu sabia do namoro, mas ela não.


Tanta coisa boa e bonita,

Que hoje não faz parte da minha vida,

Que pena, que dor por não mais ter,

A infância feliz, que eu tive pra viver.


Mauricio Bressan Junior

02/10/2008

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2 respostas para SEMPRESCREVENDO

  1. Alexandre Marcon Fernandes disse:

    Caro Maurício,
    Esta sua faceta de escritor eu já venho acompanhando há algum tempo pois você me passa por email alguns textos e só posso elogiar pela clareza e sensibilidade contida em suas palavras.
    Eu sou até suspeito para ficar lhe fazendo elogios pois convivemos longos anos numa empresa de engenharia e naquela atividade de Projetista você já demonstrava todo seu lado humano e artístico. Meus parabéns e um grande abraço.
    Alexandre

  2. Helenice Vieira Piovezani disse:

    Parabéns Maurício! Suas poesias são muito boas e inspiradoras…por que não deixar que os amigos e aqueles que gostam de poesia possam apreciá-las? Adorei a iniciativa!
    Um abraço.

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